Há poucas dúvidas de que, por meio de seu moralismo, sua seriedade religiosa e seus interesses humanistas, Calvino tenha sido atraído por homens como seu primo Olivetan, mas não há evidências satisfatórias de que ele tenha se comprometido definitivamente com a heresia antes de 1533. Sua seriedade moral o repugnaria com muito do que se passava por religião, e ele discutiria com seus pares quais meios poderiam ser usados para reformar as corrupções na vida comum e na Igreja. Além disso, ele havia estudado direito, e os advogados na França eram tradicionalmente anticlericais – sem dúvida, a atitude de seu pai é em parte explicável por esse fato. Calvino quase certamente conhecia – embora não tenhamos evidências diretas disso em seus anos de estudante – alguns dos escritos latinos de Lutero que circulavam na França naquela época. A situação em si era tensa; hereges eram presos e havia frequentes fogueiras. Calvino não era apenas argumentativo por natureza, mas também consciencioso e decisivo em seus julgamentos, e, portanto, deve ter começado a se questionar em algum momento entre 1528 e 1533 sobre sua posição em relação às novas doutrinas. Mas a essência da conversão, quando ocorreu, foi sua repentina manifestação e a consciência do domínio de Deus.
Basil Hall, John Calvin humanist and theologian (London, The Historical Association, 1956), p. 14.
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